Nova identidade da Apple Music: desenhada pelo som, com uma maestria bem humana
Em 21 de outubro de 2026, a Apple Music apresentou o Made by Sound, uma atualização completa de marca feita com a TBWA\Media Arts Lab, Fred again.. e a NEST Acoustics. Neste post você vê como o experimento funcionou, o que mudou no logo, quem assina o trabalho (com destaque para o estúdio brasileiro Plau), como o Apple Music Hall entra nessa história e o que tudo isso ensina para quem cria marcas.
O logo
que a música
desenhou
A equipe criou uma composição original e dividiu a peça em notas e frequências. Um transdutor enviou esses tons a um banho raso de óleo mineral, onde peças de acrílico do ícone musical e do logotipo ficaram mergulhadas. As vibrações formaram ondas e refrações em volta delas, e tudo foi filmado em câmera.
- Composição original de Fred again..
- Música dividida em notas e frequências
- Transdutor leva o som ao óleo mineral
- Acrílico do logo mergulhado no banho
- Ondas e refrações filmadas em câmera
- Material vira identidade, motion e filme
Dentro do
laboratório
A equipe desenvolveu um equipamento e um software próprios para controlar o experimento. A viscosidade do óleo foi escolhida porque produz ondulações com aspecto vítreo.
Cada frequência gera um padrão diferente, e isso permitiu traduzir a composição inteira num vocabulário visual coerente. Deslize as imagens ao lado para ver o rig, a bandeja e o logo se formando.







Quatro peças
em um só
sistema

Wordmark. O símbolo da Apple seguido de “music” em caixa baixa, com desenho mais pesado e compacto. As fontes de projeto descrevem a palavra como uma versão personalizada da família SF Pro.
Ícone. A nota musical foi redesenhada e ficou mais expressiva. Na versão estática divulgada para o app, ela aparece em preto e branco no lugar do conhecido ícone vermelho e rosa.
Movimento. Ondas, ecos e refrações coloridas derivam do experimento físico. Isso dá ao movimento uma regra clara: a marca reage a som real.
Som. Fred again.. e a NEST Acoustics criaram uma composição curta que funciona como assinatura sonora e também acionou a instalação física. A mesma fonte conecta áudio e imagem.
O sistema em campanha
É na campanha que o sistema mostra o que sabe fazer. O wordmark se estica como uma onda sobre fotos de shows, os outdoors ganham mesas de DJ coloridas e o filme de lançamento junta tudo isso com a trilha de Fred again..








O site oficial também já usa o sistema.
O wordmark, cercado por anéis de luz refratada, aproveita acima de tudo o movimento que a nova marca trouxe de berço.
Os detalhes
que valem
precisão.
Parte da imprensa resumiu o processo como “água”. As descrições de produção mais próximas do projeto falam em óleo mineral, escolhido pela viscosidade, que cria ondulações com aspecto vítreo.
O fenômeno-base foi produzido fisicamente e capturado em câmera. A ficha técnica também registra VFX, colorização, finishing e pós-produção de stills.
Captura em câmera
VFX e finishing
- Agência e designTBWA\Media Arts Lab LA
- ProduçãoOptical Arts, direção de Joe Jackson
- MúsicaFred again.. com NEST Acoustics
- VFXTime Based Arts
- Cor e finishingTRAFIK
- MixagemModel Citizen
- Tipografia e vetor do logoPlau
Do lado da agência, estes profissionais da TBWA\Media Arts Lab compartilharam os bastidores no LinkedIn:
- James TaylorGlobal Head of Design
- Lara JurianszCreative Director
- Sabine DowekGroup Creative Director
- Cam TribeAssociate Creative Director
- Jun Hong Parkcitado por Rodrigo Saiani
- Hannah Arrigonicitada por Rodrigo Saiani
Para ver mais do trabalho de cada um: o portfólio de Lara Juriansz, o perfil de James Taylor no D&AD e o perfil de Lara no D&AD.
Quem assina
o projeto.
Tipografia
brasileira.
A Plau é um estúdio brasileiro de tipografia e identidade de marca, fundado por Rodrigo Saiani. No Made by Sound, o estúdio fez a consultoria tipográfica e a reconstrução vetorial do logotipo. Em post no LinkedIn, Saiani contou que trabalhou com a TBWA\Media Arts Lab no rebranding e que o trabalho foi feito sem inteligência artificial, na mão. Vale a atribuição a ele, porque é um depoimento pessoal sobre a contribuição da Plau. Você acompanha o estúdio no LinkedIn e no Instagram, e o portfólio de Rodrigo Saiani está no Behance.
Quer conhecer mais vozes do type design feito no Brasil? Leia nosso panorama da tipografia brasileira em 2026.

Do palco
ao ícone.
Um mês antes do Made by Sound, em 21 de setembro de 2026, a Apple abriu o Apple Music Hall na Battersea Power Station, em Londres. A Apple Newsroom descreve uma casa de shows pensada para som e imagem ao vivo.
Deslize para ver o palco, o foyer e as salas do Apple Music Radio.
- 600 lugares
- 48 caixas de áudio
- Palco de 38 pés
- Mais de 16 câmeras
- Battersea, Londres








A leitura é minha: a proximidade das datas sugere uma Apple Music querendo ser vista como marca cultural e de experiência, além de aplicativo de streaming. Não encontrei nenhuma declaração oficial ligando o Hall e o rebrand como um único programa, então esta parte fica como interpretação.

O ícone estático em preto e branco é extremamente reduzido. O sistema em movimento é colorido, líquido e exuberante. Essa distância pode ser uma força, com reconhecimento simples no produto e expressão rica nas campanhas. Também pode ser um risco, se o público enxergar só o ícone e perder o conceito físico que dá sentido a ele.
Sóbrio no
app, vibrante
na campanha.


O vermelho ficou de lado.
Para a tristeza de alguns usuários, o vermelho quase saiu de cena. Nesta pesquisa, encontrei vários comentários de pessoas furiosas com a decisão da maçã. O que poucos notaram é que a Apple tirou os holofotes de si para colocá-los nos artistas da plataforma. Com o vermelho tomando tudo, como a identidade de cada artista dividiria a mesma tela sem causar ruído?
6 lições
para levar
à sua marca.
Você não precisa de uma cuba de óleo para aproveitar a ideia.
Precisa de uma regra que explique de onde a sua marca vem.
Dê uma origem ao motion
Movimento que nasce de uma regra ganha coerência em qualquer peça.
Mostre o processo
Bastidores reais constroem autoria num mundo de imagem sintética.
Teste no menor tamanho
O ícone pequeno é onde o público mais vê a sua marca no dia a dia.
Pense em sistema
Símbolo, tipo, movimento e som trabalham juntos como uma só voz.
Planeje a variação
Uma lógica comum comporta artistas, gêneros e campanhas diferentes.
Chame especialistas
Tipografia e vetor pedem quem vive disso, como a Plau fez no logo.
O que é o Made by Sound da Apple Music?
É a nova identidade de marca da Apple Music, apresentada em 21 de outubro de 2026. Foi desenvolvida pela Apple Music com a TBWA\Media Arts Lab, em colaboração com Fred again.. e NEST Acoustics, e usa frequências sonoras para moldar o logo, o ícone e o movimento.
Como o novo logo da Apple Music foi feito?
Uma composição original foi dividida em notas e frequências. Um transdutor enviou esses tons a um banho raso de óleo mineral, com peças de acrílico do logo e do ícone mergulhadas nele. As ondas e refrações resultantes foram filmadas em câmera e viraram a base da identidade.
O experimento usou água ou óleo?
As descrições de produção apontam óleo mineral, de viscosidade escolhida para criar ondulações com aspecto vítreo. Algumas matérias secundárias resumiram o processo como água.
O logo foi feito sem computação gráfica?
O fenômeno-base foi produzido fisicamente e capturado em câmera. A ficha técnica também registra VFX, colorização, finishing e pós-produção de stills, o que significa que houve acabamento digital depois da captura.
Quem criou a nova identidade da Apple Music?
A Apple Music e a TBWA\Media Arts Lab de Los Angeles, com música de Fred again.. e NEST Acoustics, produção da Optical Arts (direção de Joe Jackson), VFX da Time Based Arts, cor e finishing da TRAFIK, mixagem da Model Citizen e consultoria tipográfica da Plau.
O que mudou no logo e no ícone?
O wordmark passou a ser o símbolo da Apple seguido de “music” em caixa baixa, com desenho mais pesado e compacto. O ícone ganhou uma nota musical redesenhada e, na versão estática divulgada para o app, aparece em preto e branco no lugar do vermelho e rosa.
O que é o Apple Music Hall?
É a casa de shows da Apple na Battersea Power Station, em Londres, aberta em 21 de setembro de 2026, com 600 lugares, áudio espacial com 48 caixas, palco de 38 pés e mais de 16 câmeras.
Uma marca brasileira participou do projeto?
Sim. A Plau, estúdio brasileiro de tipografia e identidade de marca fundado por Rodrigo Saiani, fez a consultoria tipográfica e a reconstrução vetorial do logotipo.
Para ir
mais fundo.
Fontes desta pesquisa: LBB, The Stable, Creative Boom, Fast Company, Creative Review, MacRumors e Apple Newsroom. Imagens e vídeos usados com finalidade editorial, com crédito às fontes de cada peça.
Uma marca que reage
ao que ela representa
fica na memória.
A pergunta que fica é quanto dessa riqueza
sobrevive no uso cotidiano do produto.
O método já provou o ponto: quando a marca
tem uma origem verificável, ela tem assunto.
Meu trabalho com marcas também pensa desse jeito.


